
Pouso Alegre: a cidade que responde por 87,5% do morango produzido em Minas Gerais
Quando se fala em Pouso Alegre, a primeira imagem que vem à cabeça costuma ser a das fábricas e do Distrito Industrial às margens da Rodovia Fernão Dias. Mas há outra vocação menos conhecida no município, e ela é doce: a cidade é o maior polo produtor de morango de Minas Gerais e responde por quase nove em cada dez toneladas colhidas no estado.
Um número que impressiona
Segundo dados da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), a região de Pouso Alegre é responsável por 87,5% da safra mineira de morango. O município contabiliza 2.681 hectares dedicados à cultura e uma produção anual na casa das 102 mil toneladas.
O Sul de Minas, por sua vez, concentra cerca de 90% de toda a produção estadual — ou seja, a fruta mineira tem endereço certo: a região de Pouso Alegre, nas áreas de altitude da Mantiqueira e do entorno da cidade.
Uma cadeia que vive do morango
O impacto vai muito além do volume colhido. Estima-se que a cadeia produtiva do morango ocupe cerca de 15 mil pessoas no município, das quais aproximadamente 9.500 são agricultores familiares — um retrato raro de um agronegócio intensivo em mão de obra, baseado em pequenas propriedades, e não em grandes latifúndios.
Boa parte da produção acontece em estufas e em sistemas de plantio suspenso, técnica que melhora o controle de pragas, reduz o contato da fruta com o solo úmido e permite irrigação mais eficiente. É esse conjunto — altitude, clima ameno, assistência técnica e tecnologia de cultivo — que colocou a região na liderança nacional de produtividade e qualidade.
Onde a fruta vira mercado
Parte dessa produção escoa pelo comércio local e pelas feiras da região, mas o morango de Pouso Alegre também abastece os grandes centros consumidores do Sudeste, com destaque para São Paulo e Belo Horizonte, ambos a cerca de 200 e 380 quilômetros de distância pela Fernão Dias.
A proximidade com esses mercados é decisiva para uma fruta perecível: quanto menor o tempo entre a colheita e a chegada à prateleira, melhor a qualidade final e maior o valor agregado para o produtor.
Desafios de quem depende da safra
Como toda cultura concentrada em poucos meses, o morango impõe riscos. A safra costuma começar em meados do ano e vai até o fim da primavera, e alterações no regime de chuvas e de temperatura afetam diretamente o calendário e a qualidade da fruta.
Por isso, nos últimos anos, produtores e entidades do setor têm investido em variedades mais resistentes, em cobertura de cultivo protegido e na diversificação de canais de venda — inclusive a venda direta ao consumidor, em feiras e propriedades que abrem as porteiras para visitação.
Agricultura e indústria no mesmo município
O curioso é que Pouso Alegre concilia esses dois mundos sem que um anule o outro. O mesmo município que abriga multinacionais do setor de eletrodomésticos, farmacêutico e logístico também tem na zona rural uma base de agricultura familiar que sustenta milhares de empregos e uma identidade própria.
Para quem vem de fora, o morango virou, inclusive, atrativo turístico: visitas a propriedades da região, compra direta na propriedade e a presença da fruta nas feiras e no comércio do centro da cidade passaram a integrar o roteiro de quem visita o Sul de Minas.
Conclusão
Pouso Alegre é conhecida como polo industrial, mas sua força não está só nas fábricas. Com 87,5% da produção de morango de Minas Gerais em seu entorno, o município sustenta uma cadeia que emprega cerca de 15 mil pessoas e conecta pequenas propriedades rurais aos maiores mercados consumidores do país. É um dos casos mais interessantes do interior brasileiro em que a lavoura e a indústria dividem, com sucesso, o mesmo território.