Flipoços 2026: o festival literário de Minas que está resistindo à era das redes sociais

Publicado: 23/06/2026
Atualizado: 23/06/2026
Por: Cidades Brasileiras

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Em uma época em que vídeos curtos e algoritmos ditam boa parte da atenção, Poços de Caldas fez algo quase contracorrente: reuniu milhares de pessoas em torno de livros, cartas, diários e debates presenciais. A 21ª edição do Festival Internacional de Literatura de Poços de Caldas — a Flipoços — aconteceu entre 25 de abril e 3 de maio de 2026 e mostrou que o público mineiro ainda tem sede de encontros literários de peso.

Números que impressionam

Foram nove dias de programação no Parque José Affonso Junqueira, com mais de 60 mil visitantes, 255 convidados e 50 expositores (editoras, livrarias e projetos independentes). O tema de 2026 foi "Cartas e Diários na Literatura — O Intimismo das Palavras", escolhido pela patronesse Carla Madeira, que marcou presença com debates e lançamentos.

O festival também atraiu personalidades de peso: Míriam Leitão, Milton Hatoum, Inácio de Loyola Brandão, Paloma Amado e Daniel Munduruku estavam na lista de nomes confirmados. A diversidade de vozes foi uma das marcas da edição — houve desde mesas sobre true crime até oficinas de escrita e saraus com poetas locais.

A região além da literatura

A Flipoços não existe isolada. Ela se aninha em uma cidade de 163.742 habitantes (IBGE 2022) que, ao mesmo tempo em que aposta em cultura, vive uma nova discussão minerária. Poços de Caldas está no epicentro do debate sobre terras raras, lítio e nióbio em Minas Gerais — minerais estratégicos para a transição energética que já movimentam projetos de pesquisa e exploração na região.

O estado lidera a corrida por esses minerais no país, com novas frentes de expansão que afetam diretamente cidades do Sul de Minas. A Flipoços, porém, tratou do assunto de modo indireto: discutiu-se a Amazônia com Daniel Munduruku, a memória e os diários como ferramentas contra a desumanização, e a literatura como espaço de resistência. Não por acaso, a sessão "Cartas e Diários: Caminhos para uma Educação Anticolonial" teve apoio de instituições como CEFET-MG, UNIS-MG e UEMG.

Por que a Flipoços ainda resiste?

A comparação com festivais que dependem de engajamento digital é inevitável. Os organizadores, no entanto, apostaram em uma programação densa e em uma estrutura de feira que aproxima leitores de editoras e autores. Mais de 200 atividades em nove dias significam que, para muitos participantes, o festival é um ponto de encontro anual, não um post que some do feed em 24 horas.

Outro ponto é a presença de nomes de referência que ainda mobilizam público presencial: Míriam Leitão falando sobre livros que marcaram sua vida, Milton Hatoum trazendo a Amazônia para o palco de Minas, e Daniel Munduruku fechando discussões sobre identidade e literatura indígena. Em um festival que tem 21 anos de história, há uma fidelidade de público que nenhum algoritmo consegue replicar.

O que esperar da Flipoços a partir de agora

A edição de 2026 bateu recorde de convidados internacionais — escritores de Portugal, França, Chile, Rússia, Ucrânia, Arábia Saudita e outros países africanos participaram com mesas e lançamentos. A organização anunciou que o festival segue em expansão, e Poços de Caldas deve se firmar ainda mais como referência literária no interior de Minas.

Para quem perdeu, o site oficial (flipocos.com) deve manter registros e novidades da próxima edição. A dica é acompanhar as redes oficiais do festival e a programação da cidade, que costuma ter atividades culturais paralelas durante o ano inteiro.

[Artigo produzido a partir de dados do G1 Sul de Minas, Prefeitura de Poços de Caldas e IBGE. Para sugestões de ajustes, utilize o formulário de contato do site.]

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