CLIA de Pouso Alegre: o porto seco que conecta o Sul de Minas ao comércio exterior

Publicado: 02/10/2026
Por: Cidades Brasileiras

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Às margens da Rodovia Fernão Dias, no km 861, funciona uma estrutura que muda a relação do Sul de Minas com o comércio internacional: o Centro Logístico Industrial Aduaneiro (CLIA) de Pouso Alegre, um recinto alfandegado em zona secundária que opera como um porto seco no interior do estado.

O que é um CLIA

Um CLIA é um recinto alfandegado criado para acolher operações de comércio exterior, habilitado a atuar em importação, exportação e regimes especiais. A lógica é simples: em vez de a carga passar por um porto ou aeroporto e seguir por estradas até o destino final, o desembaraço acontece no interior, perto da fábrica.

O CLIA de Pouso Alegre foi fundado em 2013 e recebeu seu alfandegamento definitivo em 2017. Hoje, tem como acionista majoritária a ICTSI (International Container Terminal Services Inc.), operadora internacional de terminais.

A nova sede e o salto de escala

Em novembro de 2025, o centro inaugurou uma nova sede, com investimento de R$ 200 milhões. A mudança foi significativa: a área passou dos 28 mil m² da estrutura anterior para 475 mil m² — cerca de 17 vezes maior —, com projeto que prevê 208 mil m² de construções.

A primeira etapa da expansão reserva 108 mil m² de área alfandegada, dos quais 47 mil m² já estavam concluídos ou em fase final de obra. Há ainda uma área de aproximadamente 100 mil m² não alfandegada, destinada a futuros negócios e centros de distribuição.

O que passa por ali

Os números de 2026 mostram a dimensão da operação. Entre janeiro e abril, o CLIA movimentou US$ 250 milhões em mercadorias. Só no ano, foram registrados mais de 3 mil processos e 1.500 operações com contêineres.

O terminal já opera com cargas vindas dos portos de Itajaí (SC) e Vitória (ES) e dos aeroportos de Guarulhos e Viracopos, e atende cerca de 286 empresas de diversos setores. Atualmente, as importações representam cerca de 95% das operações — um dado que revela o potencial de crescimento das exportações da região.

Órgãos federais no mesmo endereço

Um dos principais ganhos para as empresas é a concentração de serviços federais em um único local. Receita Federal, Anvisa e Ministério da Agricultura atuam presencialmente no recinto ao longo de todo o processo de desembaraço, o que reduz tempo e custo de liberação de cargas.

O CLIA também é certificado como Operador Econômico Autorizado (OEA) pela Receita Federal e possui autorizações da Anvisa para armazenagem e movimentação de medicamentos, insumos farmacêuticos, cosméticos, saneantes e alimentos — o que o torna relevante para um município que tem um polo farmacêutico consolidado.

Os benefícios fiscais e o corredor Rio–Minas

Além das operações aduaneiras, o CLIA é beneficiário de dois dos 59 Tratamentos Tributários Setoriais (TTS) do estado de Minas Gerais, o que permite às empresas acessar regimes especiais de tributação com crédito presumido de ICMS.

Na esteira da expansão, foi lançado o "Corredor Rio × Minas", uma solução logística que conecta mercadorias mineiras ao Porto do Rio de Janeiro, oferecendo uma alternativa ao fluxo tradicional que passa pelo Porto de Santos. Para importadores da região, a combinação de localização, regimes especiais e integração com o corredor reduz custos operacionais.

Exportações ganhando espaço

A vocação exportadora do Sul de Minas começa a aparecer nos dados. De janeiro a outubro de 2025, Pouso Alegre somou US$ 69,1 milhões em exportações, um crescimento de 19,2% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Entre os principais itens estão sumos de frutas e de produtos hortícolas, fornos elétricos industriais e de laboratório e máquinas de terraplenagem.

Há casos emblemáticos, como o de uma fabricante local de fornos que exporta para 50 países e mantém base própria em Dallas, nos Estados Unidos — mercado que responde por cerca de 10% de suas vendas.

Conclusão

O CLIA transformou Pouso Alegre em porta de entrada e saída do comércio exterior mineiro. Com uma estrutura 17 vezes maior que a anterior, presença de órgãos federais no local, benefícios fiscais estaduais e integração com o Corredor Rio × Minas, o porto seco deixou de ser um detalhe logístico para se tornar parte da explicação de por que tantas indústrias escolheram a cidade — e por que a próxima etapa do desenvolvimento local passa, cada vez mais, pela exportação.

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